POLICIAL É ACUSADO DE AGREDIR ALUNOS DE CAMPO MOURÃO DENTRO DO ÔNIBUS ESCOLAR

05/11/2011 14:36

 

Eles saíram para assistir uma simples aula prática na noite da última quinta-feira. Na verdade, uma feira de profissões organizada pela Universidade Estadual do Paraná – Fecilcam. Eram 25 alunos do Colégio Darci Costa, 20 rapazes e cinco moças, todos com idade entre 17 e 20 anos. Foi uma atividade divertida. Gostaram do que viram. Mas no retorno à escola, o ônibus em que estavam foi parado por dois policiais militares. Até aí, o que havia sido um passeio legal, transformou-se em humilhação, violência e dor. Com exceção das meninas, outros garotos afirmam ter apanhado.

 

Todos os estudantes são unânimes em dizer por que os soldados pararam o coletivo. É que um dos colegas – o nome não será divulgado – colocou a cabeça fora do veículo e xingou os Pm´s. A viatura voltou e interrompeu a volta à escola. “O piá que xingou os soldados está errado. Concordamos com a polícia. Mas eles não podiam fazer o que acabou acontecendo”, explicou um dos alunos. O fato teria ocorrido por volta das 22h. Depois de o veículo ter sido obrigado a parar, um dos soldados – o nome não será revelado até que o caso seja apurado – adentrou ao ônibus com arma em punho. Aos berros teria ofendido e xingado os garotos. Somente depois de chutes e golpes de cacetetes é que o mesmo policial perguntou quem teria sido o responsável pela ofensa.

 

“Primeiro eles humilharam e bateram. Depois é que perguntaram quem foi o autor dos xingos”, lembrou outro estudante. Indignada, Sirlei Martins, mãe de um dos meninos agredidos, disse que deseja punição ao soldado. “É um crime contra a humanidade. Esse homem não tem condição de lidar com a população”, afirmou. Ainda ontem, ela e outros pais registraram queixa crime contra a ação dos dois soldados. Os agredidos também fizeram exame de corpo de delito. O menor J.A. teve que ir ao hospital. De acordo com ele, levou dois golpes de cacetete e um chute nas costas. “Ele fez exames e está tomando medicamentos”, disse a tia, Sirlei Padilha. Segundo ela, trata-se de um abuso de autoridade. “Esse Pm tem que ser punido”, afirmou. Diante de todas as críticas de pais e alunos, somente um dos PM´s é que teria se exaltado. O outro apenas acompanhou a situação. Mesmo assim, não teria feito nada para impedir o suposto abuso de poder.

 

Mesmo não sendo agredidas fisicamente, as cinco meninas se disseram bastante chocadas com a situação. Uma delas informou que também foi ameaçada. “Ele disse que só não iria bater na gente porque não tinha certeza que os xingos partiram de nós”, explicou. Depois de descobrir o autor das ofensas, os policiais levaram o aluno com a viatura até a 16ª Sub Divisão Policial de Campo Mourão. Ele assinou um termo circunstanciado e foi liberado. Porém, antes de ir embora, o PM ainda teria feito mais ameaças. “Ele falou que se ouvisse mais xingos seguiria o ônibus e tacaria fogo nele”, disseram os alunos.  

    

Alunos mostram as marcas das agressões

 

“Abordagem foi legal”, diz PM

A TRIBUNA conversou na tarde de ontem com o major Virgulino Alves da Silveira, subcomandante do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão, sobre a suposta abordagem da PM ao grupo de estudantes. De acordo com ele, a abordagem foi legal. No entanto, explica que não poderia ter ocorrido abuso de poder. A acusação está sendo investigada pelo comando da corporação. Silveira lamentou o caso, considerado por ele como grave. O major, que preferiu não identificar o policial, explicou que o PM está há mais de dez anos na corporação e até então não havia contra ele registro de reclamações ou envolvimento em qualquer outro tipo de situação que configurasse abuso de poder. “O policial está sujeito a lei como todas as pessoas. Se ele eventualmente exorbitou no cumprimento do dever vai responder por seu ato”, disse.

 

Segundo o subcomandante, o rapaz teria ofendido os policiais com palavrões de baixo calão. “Os xingaram de porcos e sujos. Jamais deveria acontecer uma situação dessa”, critica. Silveira comenta que o próprio pai do menino, um adolescente de 17 anos, teria condenado o comportamento do filho. O garoto foi encaminhado à delegacia e assinou termo circunstanciado por desacato a autoridade. O fato aconteceu na Rua Souza Naves, no jardim Albuquerque, por volta das 22 horas. Silveira acrescenta que a PM apurará o caso com imparcialidade e ouvirá ambas as partes para tomar as providências cabíveis. “O fato de o rapaz ter tirado a cabeça para fora do ônibus e xingado o policial é uma falta de educação. Ele estava na escola exatamente aonde se recebe educação e, junto dele estava ainda uma professora. Ele deveria no mínimo ter respeito às autoridades”, completou.

 

Fonte: itribuna

 

—————

Voltar