OPERAÇÃO DA PF PRENDE 69, 29 SÃO POLICIAIS

18/11/2011 08:17

 

Operação envolveu centenas de policiais federais. Foto: Jadir Zimmermann

A Polícia Federal prendeu ontem 29 policiais e outras 40 pessoas acusadas de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e contrabando. A ação faz parte da Operação Láparos, coordenada pela Delegacia da Polícia Federal de Guaíra (280 quilômetros de Maringá) e com desdobramentos em 38 municípios do Paraná e mais doze cidades nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso.

Na região de Maringá foram presos três policiais militares e cinco contrabandistas. Além disso, foram apreendidos dois ônibus usados no transporte das mercadorias contrabandeadas, veículos usados como batedores , R$ 150 mil em dinheiro, armas e 10kg de agrotóxicos.Os cinco contrabandistas presos preventivamente na cidade passaram a noite na Delegacia da Polícia Federal, enquanto os policiais foram encaminhados ao 4º Batalhão da Polícia Militar (4° BPM).

De todas as cidades onde aconteceram as ações da PF, Assis Chateaubriand foi a que teve o maior número de policiais civis e militares presos, sendo num total de 12. Como tudo está correndo em segredo de justiça, nenhum nome foi divulgado.

As prisões em Assis Chateaubriand seriam ainda maiores, mas alguns investigados não foram localizados em suas residências. Com isso, uma nova investida da PF será realizada para estes cumprimentos de mandados.


O trabalho de investigação começou há 14 meses, período em que, segundo a Polícia Federal, foram presas 202 pessoas em flagrante e apreendidos mais de 3 milhões de pacotes de cigarro e 6,5 toneladas de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai, além de 109 caminhões, 76 carros e 13 embarcações usadas nas ações dos contrabandistas.

O jornalista de Marechal Cândido Rondon Jadir Zimmermann, que acompanhou a entrevista coletiva concedida na tarde de ontem em Guaíra pelos delegados da Polícia Federal Fábio Tamura, Ricardo Cubas Cesar e Wagner Mesquita de Oliveira, este último da Divisão de Combate ao Crime Organizado, contou que várias quadrilhas foram descobertas durante a investigação e que 16 inquéritos policiais foram abertos contra os envolvidos.

Os delegados também relataram que os policiais envolvidos agiam principalmente como facilitadores para a passagem das cargas de contrabando. Para isso, estes policiais recebiam pagamentos mensais dos contrabandistas ou, em alguns casos, eram pagos por cada carga que teve a passagem facilitada.

Uma das principais funções dos policiais era informar os contrabandistas sobre as ações que a Polícia Federal desenvolvia contra este crime, o que garantia a livre circulação de veículos usados pela quadrilha para distribuir cigarros e agrotóxicos contrabandeados do Paraguai.
 

Prisões

Além das 69 pessoas presas, outras 39 estariam foragidas. No total, a Justiça Federal de Guaíra e de Umuarama concederam 108 mandados de prisão preventiva, sendo 43 contra policiais, um deles membro da Polícia Rodoviária Federal.

Os nomes dos presos não foram revelados pela Polícia Federal, pois o processo corre em segredo de justiça e a divulgação, avaliam os policiais, poderiam atrapalhar o cumprimento de outros mandados de prisão.

A operação contou com a participação de 560 policiais federais, que cumpriram os primeiros mandados de prisão na madrugada de ontem.

O balanço geral das apreensões realizadas ontem em todo o Paraná e nos outros Estados deve ser divulgado nesta sexta-feira. 
 

Batismo

Láparos é o nome que é dado aos filhotes de coelho nos primeiros dias de vida. Segundo a Polícia Federal, a operação foi batizada com estes termo numa referência à farta reprodução dos coelhos, que ocorre de forma rápida e em número elevado.

De acordo com os policiais, a organização desbaratada ontem também se multiplicava rapidamente, tinha muitas ramificações e possuia uma grande capacidade de articulação.

 

Rota do Crime

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