MORTE DE PAOLICCHE É DESVENDADA - Veja os Detalhes da Investigação e os Acusados

30/11/2011 08:23

 

Batizada de "Operação Nero", uma ação policial deflagrada ontem pela Polícia Civil de Maringá resultou na prisão de quatro pessoas suspeitas de envolvimento na morte do ex-secretário da Fazenda do município, Luís Antonio Paolicchi, 54 anos.

As investigações revelaram que o crime foi planejado pelo ex-bancário Vagner Eizing Ferreira Pio, 25 anos, que desde 2009 mantinha uma relação estável com Paolicchi.

Para a polícia, Vagner teria agido motivado por interesse financeiro, uma vez que vislumbrava herdar parte do patrimônio da vítima, além de uma provável pensão pela morte. Vagner contesta a informação e disse que decidiu matar o companheiro porque era agredido e ameaçado de morte.

"Ele (Paolicchi) tinha um grande interesse numa ação trabalhista que eu movo contra um banco. Eu tinha medo que ele me matasse assim que eu recebesse a indenização", contou.

Comandada pelo delegado-adjunto da 9ª Subdivisão Policial (SDP), Nagib Nassif Palma, as investigações tiveram início logo após Paolicchi ser encontrado morto – na noite de 27 de outubro – na zona rural do distrito de Floriano, município de Maringá.

O corpo, com cinco perfurações de tiros, estava dentro do porta-malas de um veículo Fiat Idea e tinha fitas adesivas coladas nos braços e pernas. Os levantamentos iniciais revelaram que apenas o aparelho celular da vítima havia sido subtraído, detalhe que deu suporte para o início das investigações.

Na manhã seguinte, Palma requereu à Justiça a quebra de sigilo telefônico do aparelho, bem como o monitoramento de prováveis ligações que viessem a ser feitas através do celular.

Após receber o histórico do aparelho, a polícia descobriu que instantes após a morte de Paolicchi alguém havia implantado outro chip no aparelho da vítima, mas retirado em seguida.

De acordo com Palma, mesmo que por apenas alguns segundos, a substituição fez com que o chip implantado ficasse registrado na operadora. A investigação revelou que o chip era utilizado pelo mecânico Eder Ribeiro da Costa, 28 anos, cunhado de Vagner.

Com base na informação, a Justiça autorizou o monitoramento do celular de Costa, bem como em aparelhos de outras sete pessoas que mantinham frequentes contatos telefônicos com ele. Em certa ocasião, Costa ligou para a esposa, Vanessa Eizing Ferreira Pio, 22 anos, (irmã de Vagner) e, após pedir uma certa quantia em dinheiro, confidenciou a ela " que não havia roubado, mas matado uma pessoa."

As escutas também revelaram que Costa mantinha uma relação estreita de amizade com Arthur Vacellai Paulino, 23 anos, também morador de Paranavaí. "Foi então que descobrimos que Paulino havia escondido a arma usada para matar Paolicchi", contou Palma, explicando que decidiu, então, representar pela prisão temporária dos suspeitos, além de requerer outros sete pedidos de busca e apreensão.

Encaminhados na tarde de segunda-feira à 4ª Vara Criminal de Maringá, os pedidos foram acatados pelo promotor Pedro Ivo Andrade e deferidos pelo juiz Givanildo Nogueira Constantinov. "Como não tínhamos tempo a perder, decidimos desencadear a operação na manhã de ontem", contou o delegado.

Momentos após a prisão, Vagner e Costa confessaram a autoria do crime. Vagner alegou ter planejado o crime por não suportar os ciúmes doentio de Paolicchi que, segundo ele, o agredia e fazia ameaças de morte, bem como o proibia de conversar com os próprios pais, mesmo por telefone.

"Ele (Paolicchi) dizia que me mataria caso eu o abandonasse. Creio que ele também tinha interesse em se apoderar de uma indenização trabalhista que eu movia contra um banco, podendo até mesmo me matar para ficar com o dinheiro", disse o ex-bancário.

Costa, por sua vez, negou ter agido por interesse financeiro e afirmou que só aceitou matar o ex-secretário depois de saber que ele agredia e maltratava Vagner.

Surpreendentemente, Vagner também revelou que seu pai, Valdir Ferreira Pio, teria dado suporte para que o crime fosse concretizado. Segundo ele, coube ao pai a função de trazer Costa a Maringá e leva-lo de volta a Paranavaí após a execução do crime.

Costa confirmou a informação, dizendo que além de traze-lo a Maringá, Valdir também o teria acompanhado de moto até o local da execução. Com base na informação, a Polícia Civil decidiu representar pela prisão de Valdir.

O pedido será encaminhado nesta quarta-feira ao Fórum de Maringá. "Com esta prisão, teremos condições de esclarecer todos os detalhes deste crime, que surpreendeu e abalou a opinião pública de Maringá", afirmou o delegado. Vanessa confirmou que apenas sabia do envolvimento do irmão e do marido no crime, enquanto Paulino negou ter escondido a arma, que até o final da tarde de ontem não havia sido encontrada.

Batizada de "Operação Nero", a ação policial foi uma alusão ao famoso imperador que governou Roma entre os anos 54 e 68 (a.C). Homossexual assumido, Nero teria se casado com outros homens por três vezes, entre eles, o jovem Esporo, que teve os testículos cortados antes de ser levado a uma cerimônia pública de casamento.

Tal como Paolicchi, Nero é citado pelos historiadores como um esbanjador de dinheiro público, amante de festas e de boas roupas. Coincidentemente, Paolicchi e Nero nasceram no mesmo dia: 15 de dezembro.

 

Os suspeitos

 

Detalhes da investigação

Dia 27 de outubro - 20h37: Luiz Antonio Paolicchi deixa o prédio onde residia, na Zona 4, em companhia do companheiro, Vagner Eizing Ferreira Pio, 25 anos. Os dois seguem de carro em direção do Hospital do Câncer, onde a avó de Vagner está internada.

Seguindo o combinado, Eder Ribeiro da Costa, 28 anos, já aguarda em um local determinado. O pai de Vagner, Valdir Ferreira Pio, estaria à distância, dando cobertura com uma moto.

  • 20h50: Paolicchi deixa Vagner em frente ao hospital e, antes de sair, é surpreendido por Costa, que está armado. Após dar voz de assalto ao ex-secretário, que não reage, Costa orienta Paolicchi a seguir com o carro para uma rua próxima, onde o amarra e amordaça com fita adesiva e o joga no porta-malas do carro. Valdir permanece acompanhando à distância e segue o veículo, agora dirigido por Costa, até ao distrito de Floriano.
  • 21 h e 22 h – Ainda no porta-malas do carro, Paolicchi é executado com cinco tiros, dois deles no rosto, no lado direito. O corpo e o veículo são deixados na zona rural do distrito e encontrados somente por volta das 19h30 da noite seguinte (28).

Dia 28 - 19h30 – Polícia Civil comparece ao local do crime e descobre que o celular de Paolicchi foi roubado. Informada, a Justiça concede a quebra do sigilo telefônico e escuta do aparelho. Dois dias depois, operadora de telefonia confirma que na mesma noite do crime o aparelho teve o chip substituído por alguns segundos e repassa o número do chip utilizado pelo suspeito.

Dia 29: Polícia descobre que chip implantado no celular de Paolicchi era de Eder Ribeiro da Costa, que também passa a ser monitorado. Sem saber que o aparelho está sob escuta, Costa liga para a esposa para pedir dinheiro e, durante a conversa, diz a ela que "não roubou, mas matou uma pessoa". Outras pessoas que ligam para Costa também passam a ser monitoradas, entre elas, seu melhor amigo, Arthur Vacellai Paulino, que teria aceitado esconder a arma usada no crime. 

Dia 28 de novembro: Com base nos indícios colhidos no curso das investigações, Polícia Civil representa pela prisão temporária de Vagner, Costa, Vanessa e Paulino. Pedidos chegam ao Fórum na tarde de terça-feira e são deferidos no início da noite. 

Dia 29 – 6 horas: Deflagrada a "Operação Nero". Suspeitos são surpreendidos pela polícia e acabam confessando e revelando detalhes do crime.

 

Fonte: odiario.com

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