JUÍZA SUSPENDE LEILÃO DE CHÁCARA DE PAOLICCHE

10/11/2011 08:28

 

A juíza da 3ª Vara do Trabalho de Maringá, Ana Cristina Patrocinio Holzmeister Irigoyen, suspendeu carta de arrematação de parte da chácara San Marino, que pertencia ao ex-secretário da Fazenda,Luis Antonio Paolicchi.

O imóvel foi arrematado no dia 28 de junho de 2011 por Edson Roberto Jorge, autor da reclamação trabalhista que resultou no leilão da propriedade.

A aquisição se deu por meio de parte dos créditos trabalhistas que Jorge pleiteava no processo. O bem, avaliado em R$ 850 mil, foi arrematado por R$ 510 mil, enquanto Jorge tinha a receber, de acordo com avaliação de 31 de março de 2011, R$ 630,6 mil.

O que causou estranheza à juíza é o fato de que Jorge alegou no processo ter uma dívida de R$ 595 mil com o Escritório de Prestação de Serviços José Francisco Pereira Ltda. Por este motivo, ele solicitou que a carta de arrematação fosse emitida no nome do escritório.

"Causa estranheza ao Juízo que seja o empregado devedor de tão elevada quantia em serviços advocatícios", afirma a juíza, no despacho que suspende a carta de arrematação.

Ana Cristina também menciona o fato de que o sócio da empresa executada, Mineradora de Águas Rainha Ltda, Luis Antônio Paolicchi, esteve envolvido em escândalo com comprovação de desvio de dinheiro público.

Arquivo DNP

Chácara que pertenceu a Paolicchi; avaliada em cerca de R$ 850 mil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A juíza também escreve no despacho que o acordo feito no processo trabalhista, na fase de execução, não segue a linha mais comum em ações semelhantes e registra que "da forma como foi feito o acordo, a dívida aumentou em 50%".

Diante dos fatos, por medida de cautela e para evitar eventuais prejuízos a terceiros, Ana Cristina suspendeu a emissão da carta de arrematação e encaminhou os autos para manifestação do Ministério Público Federal (MPF) de Maringá.

Em despacho, o MPF considerou que em razão do imóvel estar penhorado em processos da Justiça Federal e da Justiça Estadual com o objetivo de ressarcimento do dinheiro público, "não deve prevalecer o interesse privado em detrimento do interesse público, que visa o restabelecimento do Patrimônio Público."

Além disso, o MPF pede que a penhora da chácara permaneça "independentemente em nome de quem esteja registrado referido imóvel."

A reportagem não conseguiu contato com Edson Roberto Jorge. O advogado José Francisco Pereira não retornou as ligações feitas pela reportagem na tarde de ontem.
 

Investigação 

A morte de Paolicchi permanece sem respostas. A Polícia Civil informou apenas que segue uma linha de investigação, mas prefere manter sigilo sobre o caso.

 

Processos 

6 Ações de execução fiscal na Justiça Federal tentam reparar danos aos erário federal. 
4 Ações civis públicas na Justiça Estadual cobram a reparação de danos ao erário municipal.

 

Fonte: Odiario

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