A Ditadura do Prazer Sexual

31/08/2011 16:29
     Ao longo da história o orgasmo teve conotações sociais, religiosas e morais - mesmo íntima e individual – e principalmente no tocante às mulheres. Há séculos atrás uma mulher que tivesse prazer (orgasmo) em ter relações sexuais era considerada prostituta ou louca. Muitas eram internadas em hospícios por alegarem gostar de fazer sexo com o marido. Na época da inquisição, eram classificadas como bruxas e queimadas em fogueiras. Mas as coisas mudaram, e hoje ter orgasmo ou prazer em fazer sexo se tornou uma obrigação. Em função disso, estamos vivendo uma “ditadura do prazer”, onde homens e mulheres se vêm “obrigados” a chegarem ao orgasmo.

    
Estamos esquecendo que homens e mulheres são biológica, psicologicamente e culturalmente diferentes e, que apenas com a compreensão destas diferenças um casal poderá ser feliz.Muitas mulheres não atingem o orgasmo, mas isso não interfere de modo significativo em seu relacionamento com o parceiro. Outras, porém, sentem-se diminuídas e frustradas com essa situação que pode perturbar inteiramente sua vida conjugal. O “chegar” ao orgasmo constitui um crescimento sexual e não é uma experiência isolada de prazer físico e psicológico. Ele não depende só da excitação sexual, mas, sobretudo, da capacidade de entregar-se às sensações eróticas, de sentir-se à vontade consigo mesma, de amar-se, e de amar o seu parceiro sexual. É o crescimento e amadurecimento sexual da mulher.

     Para viver esta experiência é necessário viver a entrega! Entregar-se quer dizer abandonar-se às próprias sensações, descobrir o que gosta e o que não gosta durante o contato sexual e compartilhar com o parceiro suas necessidades e desejos. Não jogue toda a responsabilidade de conseguir o orgasmo para o homem, achando ser ele o culpado de sua frustração. Você deve sair do papel de passiva e vítima, e comprometer-se com o seu crescimento sexual e pessoal.

    
No orgasmo as evidências fisiológicas são as contrações rítmicas da entrada e parte da vagina e da musculatura do períneo; o útero também sofre contrações. Todos os orgasmos se assemelham fisiologicamente, mas podem ser sentidos de formas diferentes. Para algumas mulheres é um murmúrio suave, para outras, um agitado turbilhão. Quando uma mulher apresenta a falta ou a dificuldade de ter orgasmos e quer procurar tratamento deve consultar um médico, de início um ginecologista, a fim de verificar se existe alguma coisa errada nos órgãos genitais ou algum distúrbio hormonal. Se nesta consulta não for verificado problema orgânico, o diagnóstico normalmente vai para a área psicológica e a paciente deve ser encaminhada parar um tratamento especializado em terapia sexual.

     O tratamento se baseia de maneira geral em informação detalhada sobre a anatomia e a fisiologia da resposta sexual feminina e masculina, correção de conceitos errados nessas áreas e psicoterapia breve com a finalidade de reduzir a ansiedade provocada pelo problema sexual. O comportamento sexual, bem como as disfunções sexuais resultam de  um processo de aprendizado. A terapia sexual difere de outras formas de tratamento das disfunções sexuais sob dois aspectos: primeiro, porque seus objetivos se restringem essencialmente à eliminação da dificuldade sexual; segundo, porque emprega além de psicoterapia, exercícios sexuais que a paciente deve realizar em casa. Essas práticas constituem a principal inovação da moderna terapia sexual. Apesar desse enfoque dirigido ao sintoma sexual, nessa forma de tratamento, muitas vezes é necessário intervir no relacionamento global dos parceiros através de técnicas de terapia sexual. Como tratamento paralelo para aumentar a auto-estima feminina, a mulher deve freqüentar cursos, palestras, work-shops e até dançar é uma excelente terapia.

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